Deusas de saltos altos
Celebridades rodeadas de entourage e editoras que só não passam despercebidas aos fotógrafos de streetstyle: da mesma matéria se fez este mês de Semanas de Moda, no ciclo de estilo que não nos consegue cansar.
Chegam os carros de vidros fumados. Abrem-se as portas, e elas saem. De carteira Céline no braço, de passo apressado para a fila da frente. Elas, que fazem a Moda girar.
Entre protestos que ameaçam fechar desfiles, ícones que deixam ausências profundas e Bill Cunningham atropelado por um SUV (o famoso fotógrafo de street style saiu ileso, com a história para contar), desfilam, como se o tempo parasse, os vestidos de seda embelezados com drapeados e padrões, sobrepostos com pesados casacos de pelo; os sapatos que fazem parar o trânsito e as carteiras cujo tamanho deixa perceber o propósito: trabalho, ou lazer?
São hoje as que serão amanhã lembradas como divas intemporais, figuras que determinam humores e inspiram artistas, presenças que ditam tendências e nos dizem, pelo simples facto de escolherem dobrar as calças acima do tornozelo, para subir as bainhas 5 cm, ou fechar a blusa até ao último botão, ou usar meias com sandálias. E nós, no topo da nossa individualidade, temos o livre arbítrio de nos regermos, ou não, pelas deusas de saltos altos. E que atire a primeira pedra quem nunca as venerou.
Por: Irina Chitas